Uma aliança de sucesso. Juntos somos mais «nós».

September 28, 2017

     

 

     Uma vida a dois começa bem antes de cada elemento da mesma se conhecer. Os modelos familiares e socias, as experiências, as reflexões pessoais e relacionais, desencadeiam expectativas, sonhos, objetivos e metas no indivíduo e este, por sua vez, transporta-os(as) para a nova relação. Um e outro são atingidos pela magia dos seus olhares e iniciam um relacionamento apaixonado, que evolui para uma relação amorosa desejavelmente satisfatória e íntima. A dada altura, em conjunto, discutem visões individuais e começam a criar projetos comuns (os projetos do casal). Entre os vários pensamentos comuns, muitos casais manifestam a vontade de serem pais. Querem aumentar a família e fortalecer os seus laços, passar saberes únicos e exemplares e admirar o crescimento de um ser especial, voltar a ser criança pelas brincadeiras partilhadas, aprender a cuidar e a amar incondicionalmente, alimentar a esperança de uma melhor humanidade, entre tantas outras fontes de motivação. Todavia, como algumas pessoas sabem, este sonho pode trazer um desafio gigante: a pouca probabilidade de sucesso ou impossibilidade de serem pais biológicos (por exemplo, perdas gestacionais que dilaceram a esperança do futuro, diagnósticos de infertilidade que abalam as estruturas dos sonhos alimentados, doenças que põe em causa o projeto comum e que, nalguns casos, na busca de uma alternativa aconchegante, esbarram na morosidade pesada dos processos de adoção). Numa situação – pouca probabilidade de sucesso – e noutra – impossibilidade pela via biológica – há formas de concretização do objetivo de trazer um(a) filho(a) para a vida a dois. Porém, pelo caminho, expressões como (in)eficácia, morosidade, constrangimentos económicos, ansiedade e desgaste emocional invadem o quotidiano destes casais. Há, assim, um conjunto de desafios, mais ou menos esperados, que estremecem a relação e os sonhos que vivem dentro da mesma, emergindo a necessidade da reformulação dos objetivos ou dos passos para atingir os mesmos. É um verdadeiro teste ao casal e às suas individualidades. Reportando-me aos casos que acompanhei e que vou acompanhando, em contexto de gabinete (intervenção psicológica individual e casal), assisto a muitas pessoas que não aceitam rever os objetivos do casal e os seus sonhos individuais, colocando os mesmos (fruto de expectativas criadas) acima da relação. Há casos onde existe uma grande dificuldade em abandonar a idealização que sempre acompanhou a pessoa ou o casal.  Este facto leva, inevitavelmente, a um desgaste significativo do relacionamento amoroso. Como solucionar?  No meu ponto de vista, a relação do casal deve ser percecionada e vivida como a base do projeto a dois, colocando, desta forma, os objetivos, as metas, os sonhos, as expectativas e os projetos individuais e comuns num plano de reformulação. Os objetivos e as metas podem e devem ser reformulados, os sonhos podem e devem ser transformados, as expectativas podem e devem ser redefinidas (mesmo que numa fase inicial a frustração reine, pelo defraudar das expectativas iniciais) e os projetos comuns podem e devem ajustar-se face às barreiras que vão aparecendo. Reiterando, para mim, a base deve ser a relação. Uma boa base relacional permitirá reformular sonhos e projetos muito mais facilmente. A vida é real e não ideal, por isso, o conselho que dou é o seguinte: olhe para a sua relação e construa-a num caminho onde os obstáculos são apenas pontos de passagem e devem ser superados pela força da sua relação. O que está para além da relação são puzzles que têm de ser resolvidos a dois. O investimento no «nós» deve ser sempre uma prioridade. Se o fizer, verá que a superação dos desafios, fruto de uma aliança de sucesso, fortalecerá ainda mais o seu relacionamento.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Posts Em Destaque

Ouço tanto «eu» entre nós!

September 29, 2020

1/8
Please reload

Posts Recentes

September 21, 2020

September 7, 2020

August 24, 2020

July 12, 2020

June 30, 2020

Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags