Labirintos relacionais

Excerto de uma conversa, algures por aí, entre o Sérgio e a Sílvia:

- Sérgio, tenho uma coisa importante para te contar. Não vais ser a primeira pessoa a saber, pois acabei de sair da consulta com o meu psicólogo e contei-lhe tudo!

- Olá, Sílvia! Tudo o quê?

- Calma! Já te conto! Somos amigos há muitos anos, Sérgio…

- Sim, é verdade. Já percebi. É mesmo sério! Não vou contar a ninguém, se é isso que te preocupa. Fica descansada.

- Obrigada. Para além disso, por favor, não me julgues. Eu sei que nunca fizeste e que não o farás, mas é importante para mim que me digas isso mesmo.

- Certo! Não o farei, já me conheces. Agora conta, Sílvia!

- Bem, Sérgio, tu conheces bem o Miguel, o meu marido…

- Sílvia, estás a deixar-me preocupado. O que se passa?

- Calma! Senta-te e escuta-me com atenção. Até ao fim.

- Prometo! Agora diz…

- Apaixonei-me por outra pessoa, envolvi-me com ela e tu conhecê-lo…

- Sílvia… bem… sei… mas tu…

- Desembucha, Sérgio! Preciso que digas alguma coisa! Já!

- Deixa-me respirar! Não estava à espera! Quem é? Quem foi? Bem, explica-me tudo!

- Sérgio, não te vou dizer tudo, mas, pela nossa amizade, sinto que tens o direito de saber muito… na verdade… o Filipe… ainda é…

- Fi… Fi… Filipe? O Sousa?

- Não, Sérgio! Achas? É! É ele mesmo!

- Sílvia, o Filipe é o melhor amigo do Miguel, o teu marido, desde pequenito!

- Achas que não sei disso, Sérgio? Eu sei! O que posso fazer agora? Já estamos juntos há 6 meses… encontramo-nos em casa dele, duas vezes por semana, enquanto o Miguel está a trabalhar, o que ele sabe fazer bem.

- Sílvia, eu não devia saber… eu sei que somos amigos, mas tu sabes que também sou amigo do Miguel. E agora?

- Agora vais seguir a tua vida e vais apoiar-me, certo? Prometes? O meu psicólogo disse-me que não posso fugir de uma tomada de decisão…

- Claro que prometo, mas deixas-me numa situação delicada… o teu psicólogo tem razão… tens que escolher um lado: Miguel ou Filipe! 6 meses?!

- Pois… mas o lado que vou escolher é manter os dois relacionamentos. Os dois equilibram a minha vida.

- Bem, estou confuso! O teu psicólogo não te disse para escolheres um lado?

- Não, Sérgio! Isso foste tu que disseste! Eu tenho uma decisão para tomar. Manter tudo como está também é uma opção. Neste momento, depois de pensar muito bem e falar com o meu psicólogo, acho que o melhor para mim é manter estes relacionamentos. Até porque o Filipe também tem um relacionamento que é importante para ele, com a sua namorada. Assim, estamos os dois confortáveis.

- A namorada? Eu não sabia que ele tinha namorada! Mas…

- Calma, Sérgio, eu sei que é muita informação nesta fase. A namorada vive a 200 km dele, só se veem ao fim de semana… e, se queres saber, isso não me incomoda.

- Sílvia, acho que agora sou eu que preciso de ir ao psicólogo. Dá-me o número do teu. Eu apoio-te em tudo. Sempre estive e sempre estarei do teu lado, mas compreendes que não está a ser fácil absorver tudo o que me estás a dizer?

- Claro que sim, Sérgio. Obrigada, mesmo! Eu sabia que podia contar contigo. Podes vir comigo ao psicólogo na próxima consulta, se quiseres falo com ele (piscou o olho).

- Chega! Vamos tomar um café, bem forte! Depois continuamos a conversa.

- Está bem, Sérgio. Vou falar com o Filipe para vir ter connosco…

- Sílvia!!!

- Estou a brincar, Sérgio. Vamos lá beber o café. Eu pago.

- Sílvia, antes disso dás-me um abraço? Temos muito que conversar depois. [se ela soubesse que estou completamente apaixonado por ela, desde que nos conhecemos, e que o Filipe também tem um caso com… o Miguel! Conto? Só a primeira? A segunda? As duas? Nenhuma?]

- Sim, um abraço bem apertadinho, meu querido amigo. Sabes o que mais gosto em ti?

- O quê?

- Este teu lado doce, meigo, carinhoso… és um amigo de verdade. Dá cá um abraço…

- [Que abraço tão bom! Queria tanto dizer-lhe o que sinto, mas vou estragar tudo!] És uma querida, Sílvia. Gosto muito de ti.

- E eu de ti. Se fosses meu namorado de certeza que seriamos muito felizes, mas a vida presenteou-nos com esta linda amizade e vamos levá-la na eternidade da nossa vida. Obrigado, Sérgio.

- Sílvia, Sílvia… és muito importante para mim. Estarei sempre contigo. [mas queria tanto ter outro papel na tua vida…]

- Vamos lá deixar-nos de lamechices e partir para o nosso café.

- Concordo. Vamos lá! Também tenho algumas coisas para te contar…

- Verdade? Estou curiosa. Quero saber tudo!

- Saberás… (piscou o olho e sorriu).

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