Mais vale bem acompanhado(a) do que só!

February 11, 2019

De acordo com a expressão «mais vale só do que mal-acompanhado(a)!», as companhias que não deseja, rotuladas de «más companhias» ou simplesmente indesejadas, são substituídas pelo tempo e espaço consigo próprio(a). Ninguém contesta esse meritório terreno, mas talvez possamos acrescentar a seguinte expressão: «mais vale bem acompanhado(a) do que só!». Todos sabemos, ou devemos saber, que a vida se constrói com mais qualidade, bem-estar e saúde se estivermos em relação com as pessoas (as relações interpessoais) – algumas apetecível e intimamente invasivas (isto é, as relações amorosas, num sentido mais restrito), outras comprometidas com a máxima «amigos(as) para sempre» (isto é, as relações de amizade fortificadoras).

 

É verdade que também se sabe, pela investigação e pela experiência, que a insatisfação dentro das relações é uma grande fonte de stress para os indivíduos, levando-os a ficar mais debilitados e vulneráveis (física e psicologicamente), mas, num sentido oposto, uma boa ou satisfatória (con)vivência relacional tem um impacto muito positivo nas pessoas, aumentando a sua capacidade de resposta nos vários contextos e a sua maior satisfação com a vida a nível global. No seguimento deste raciocínio, a ligação afetiva às pessoas e a construção de relações de qualidade devem ser encaradas como excelentes motores da felicidade (que todos(as) procuram), logo esses esforços não devem desaparecer.

 

Reconheço, pela experiência profissional no acompanhamento de casais e de indivíduos que vivenciam ou vivenciaram dificuldades nos relacionamentos interpessoais, que, muitas vezes, fruto de más experiências relacionais, as pessoas refugiam-se dentro de si mesmas, evitando contacto com outras pessoas porque, segundo elas, [naquele momento] precisam de estar consigo mesmas. De facto, o espaço do «eu» existe, deve ser cultivado diariamente e há momentos na vida que precisa de uma dedicação especial, mas a partir de uma determinada altura deve questionar-se se não está a exceder o tempo de isolamento, aconchegado(a) ou fechado(a) no «eu», adiando a construção de relações que podem ser muito positivas para si (incluindo para o seu maior autoconhecimento e para a sua evolução enquanto pessoa).

 

Não há relacionamentos iguais, por mais semelhanças que possa encontrar entre eles. Por isso, adote uma visão positiva e acredite que é possível viver novos relacionamentos com grande satisfação, independentemente da sua idade e das experiências anteriores. Liberte-se dos «fantasmas» que o(a) perseguem, refletindo seriamente sobre o passado relacional, incluindo o «eu» nessa análise (isto é, o que poderia ter feito melhor e o que fez muito bem), e definindo novas metas (com ou sem ajuda profissional) para o seu futuro dentro dos relacionamentos interpessoais, porque, digo-lhe em jeito de desafio, «mais vale bem acompanhado(a) do que só!». Esta última expressão não se incompatibiliza com a velha e conhecida expressão «mais vale só do que mal acompanhado(a)!».

 

 

 

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