O sofrimento e a superação nos momentos mais difíceis

Perante cenários devastadores e perdas significativas, a sociedade exige uma resposta rápida e mágica a quem está envolvido num processo de grande sofrimento. Deixo-lhe um exemplo de uma verbalização comum e, para que saiba, produzida fora de tempo: «Vamos lá! Tens que olhar para a frente!». Esta mensagem, dada no tempo errado, pouco ou nada ajudará na superação, pois tenta camuflar o sofrimento, que inevitável e necessariamente está presente. É essencial dar ar e suporte ao sofrimento, para depois se darem novos e edificantes passos.

Quando alguém parte um braço utilizam a mesma narrativa? Não. Direcionam-se para os cuidados médicos. Ora, se tal acontece com as mazelas físicas, qual a razão do desrespeito pelo mundo psicológico? A justificação mais óbvia é o desconhecimento. Escutamos ao longo da vida que «o tempo cura tudo». É uma falácia! A ação pensada, organizada e continuada no tempo é que tem um poder curativo e adaptativo. Há momentos difíceis da vida em que podemos ser resilientes, mas há muitos outros em que necessitamos de pedir ajuda e esperamos que esta última seja eficaz.

Como aumentar a probabilidade de sucesso, obtendo um resultado positivo, construtivo e construtor na vida de cada indivíduo perante um estado de grande sofrimento? A melhor forma é procurar um profissional especializado no domínio afetado, ou seja, se estamos a falar de fatores psicológicos, a resposta mais adequada será dada por um psicólogo. Enquanto a sociedade, os políticos e as políticas tiverem dificuldades em aceitar esta realidade – a necessidade da intervenção psicológica, por profissionais habilitados, em vários momentos árduos da vida – e não criarem condições para o trabalho destes profissionais, as pessoas continuarão sem oportunidades para superarem o sofrimento eficazmente. Os psicólogos são uma peça muito importante no puzzle da vida. Ao desconsiderá-los do processo de ajuda, sem dúvida nenhuma, estarão a condicionar a vida das pessoas, dificultando a chegada de boas respostas para a resolução dos seus problemas ou dos desafios que lhes são colocados.

Felizmente, há bons passos que estão a ser dados para uma maior consciencialização da necessidade de apoio psicológico e para a integração de mais psicólogos dentro de organizações no âmbito da saúde, mas ainda há muito para fazer! Há que superar as condicionantes com coragem e determinação, pois quem mais ganha são as pessoas. A mudança parte dos altos responsáveis, pela implementação de medidas reais e realistas no reforço deste tipo de apoio, e de cada de um de nós, através da valorização do apoio psicológico na vida das pessoas.

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