Os smartphones não largam as pessoas!

Tenho assistido a um fenómeno inacreditável. Os smartphones (e afins) não largam as pessoas! Em cada café, restaurante, sala de convívio, na rua, em contexto familiar, vejo frequentemente os smartphones agarrados às pessoas. Não deixam as pessoas durante um segundo que seja, o que traz como consequências para a sua vida – a das pessoas, claro! – uma barreira ao convívio social, limitando a sua capacidade de sedução, de afetuosidade, de sensibilidade, de comunicação, de atenção aos pormenores da beleza humana e do mundo. Nós, seres humanos, não podemos deixar que as novas tecnologias nos manipulem desta forma! Assumamos uma posição de força perante elas, que cada vez mais surgem em diferentes formatos, com mais e melhores técnicas de distração para nos «colar» a elas e, consequentemente, afastar-nos da devida atenção e valorização que as pessoas merecem e necessitam. Estamos a ser manipulados por elas, quando o desejável seria sermos nós a controlar o seu «comportamento». Mas, a realidade é que elas é que estão a controlar o nosso comportamento. A máquina a dominar o ser humano. Onde é que já ouviu isto?! Afinal, já não é só ficção…

Todos sabemos das vantagens que temos numa aliança com as tecnologias, pois elas, acima de tudo, facilitam-nos a vida em vários momentos e aspetos, resolvem-nos problemas e permitem-nos aceder a experiências muito interessantes. Todavia, elas estão a exagerar no consumo diário do tempo dos humanos. Temos de lhes dizer que não podemos estar sempre com elas, principalmente quando estamos nas refeições, nas aulas, no trabalho, numa bela noite de sono (sim, nós temos de carregar baterias para o dia seguinte), numa conversa particular, num encontro com um amigo de longa data, na prática de atividade física, nos momentos de maior intimidade com o outro elemento da nossa relação amorosa e também com os filhos, entre outros espaços e tempos da nossa vida. Elas estão a roubar-nos tempo e também o olhar. O olhar foca-se num pequeno pedaço tecnológico, deixando de apreciar a beleza natural do mundo. E, repito, não está em causa a utilidade dos smartphones na nossa vida, mas está em causa a utilidade das pessoas na vida real das outras pessoas e na construção do mundo. Falta, demasiadas vezes, olhar nos olhos das pessoas («o que dizem os teus olhos?»), conversar com elas («o que temos para partilhar e aprender um com o outro?») e dar-lhes a atenção que, como já referi, merecem e necessitam («estás bem? Eu estou aqui…»). Comunicar vivamente é o caminho mais acertado. Por exemplo, no Curriculum Vitae enfatizamos as competências sociais… e na vida? Pense nisto e dê um novo passo. Faça parte de uma nova geração: smartpeople. Domine a tecnologia, mas não se deixe dominar por ela. Chegue-se perto das pessoas e aprecie cada traço dela (e os seus também). E, em vez de ativar imediatamente a opção «fotografia», procure conhecer(-se) mais e melhor usando os seus «poderes naturais».

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