Relações privilegiadas com o pensamento divergente em contexto escolar

Encare o pensamento divergente como um tipo de pensamento original, novo, inovador, incomum e criativo. Quantas vezes por dia ele é estimulado no contexto escolar? A resposta exata não existe e, obviamente, varia muito consoante as disciplinas que estão a ser lecionadas, o(a) professor(a) que está a dirigir as aulas, entre muitos outros fatores. No entanto, a realidade é que este tipo de pensamento não é muito trabalhado. Apela-se mais ao pensamento convergente: um tipo de pensamento comum. A forma como a escola está pensada e organizada, na maior parte dos casos, dá pouco uso ao pensamento divergente. Como costumo dizer, não devemos olhar para os dois tipos de pensamento como o bom e o mau, pois estaríamos a cometer um grande erro. Ambos são importantes. Por isso, o apelo é que se criem condições para que ambos sejam colocados num patamar de igualdade em termos de importância para uma melhor adaptação dos indivíduos ao mundo em que vivem. Há situações em que as respostas comuns são as mais eficazes, outras vezes são essenciais respostas originais. A evolução é feita neste jogo de respostas diferenciadas. Basta olharmos para a história. Pesar a balança apenas para um dos lados é um erro que compromete o bom desenvolvimento pessoal e social.

Portanto, sendo a escola um meio privilegiado para a criação de mentes brilhantes, há que transformar o contexto educativo para que os nossos(as) alunos(as) possam ter um papel mais ativo e determinante na sua vida e na sociedade. O treino que podem ter no sentido de ativar o pensamento divergente, aliado às evidências que deixarão por onde possam no que se refere à sua capacidade de inovar, aumentará a motivação e o compromisso dos mais novos com a escola e com a sociedade porque começarão a perceber que não têm de assumir apenas um papel passivo. É empoderar os alunos, de modo a serem mais criativos e conscienciosos na relação com os outros e com o mundo. É um caminho a ser feito através da implementação de políticas orientadoras (as macro e as micro), da condução séria e competente dos professores (estando bem treinados para estas práticas e cultivarem um espírito de abertura), da aceitação e integração dos pais neste rumo (através de práticas educativas que, em muitos pontos, possam convergir com os objetivos da escola) e da intervenção comprometida e organizada das crianças e dos jovens.

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