As férias resolvem os problemas do casal?

August 13, 2019

     Se os problemas estão instalados no seu relacionamento amoroso, é pouco provável que as férias, por si só, resolvam a conflitualidade presente. Nalguns casos, pode acreditar, ainda agudizam mais a tensão entre o casal. Retirando a variável «férias com filhos» (fica para outro texto), o casal tem de ter a consciência que, por exemplo, a gravidade, tipo e duração dos problemas, o modo e estado da interação de ambos e as particularidades de cada elemento do casal, condicionam a níveis diferentes a resolução do mal-estar sentido. Assim sendo, se há problemas agarrados ao casal, ao atribuir um protagonismo excessivo às férias, no sentido de ser a solução do caos instalado, está a elevar as expectativas bem lá para cima e a torná-las irrealistas, garantido a frustração de ambos, que se juntará a todo leque de emoções e sentimentos mais negativos vivenciados nos últimos tempos da relação. É incontestável a importância da disponibilidade temporal de ambos para resolverem os problemas, mas se a forma usada for aquela que nunca funcionou ou a incapacidade de dialogar for uma realidade bem presente, caem no erro de estragar seriamente as férias e a relação. A desesperança e a sensação de impotência ganha destaque e pode acontecer uma verbalização como a seguinte: «Se nem nas férias conseguimos resolver as nossas divergências, não sei se alguma vez o faremos!» (às vezes como sinónimo de ponto final na relação). Posto isto, digo com convicção que as férias devem assumir um papel de descontração e não de acumular de tensão (no casal). Em terapia de casal, nas sessões que antecedem as férias do casal, ensino a dosearem as expectativas e, sobretudo, aproveitarem as férias para viverem experiências positivas, saboreando esses momentos de corpo e alma, deixando na gaveta os problemas, pelo menos os mais complexos e tendencialmente destrutivos (quando assim é possível). Felizmente, esta dica tem oferecido aos casais excelentes resultados. As férias são, no fundo, uma excelente oportunidade para recuperarem algumas forças individuais e relacionais e até resolverem alguns problemas ou dificuldades do casal, embora de forma indireta, isto é, sem tocarem nos assuntos que geram conflitos sérios, sisudos e destrutivos, substituindo essa opção por uma via mais ligada ao «viver aqui e agora as experiências que selecionamos neste período». Há também a possibilidade de levar o terapeuta de casal para férias convosco, mas nesse caso deixe o terapeuta escolher o local. Não! Claro que não! Estou só a usar algum bom humor (se assim o considerar) com a intenção de lhe dizer que há contextos e momentos para tudo, pelo que deve traçar de forma bem realista os objetivos dos vossos períodos a dois, não caindo no erro de desperdiçar oportunidades para a promoção do bem-estar de ambos. Há casos em que as férias são excelentes aliados da resolução dos problemas, mas há outros em que nada trazem nesse capítulo ou até pioram o estado da relação. Sabe aquela expressão que usam com demasiada frequência nas nossas vidas, dizendo-nos que «o tempo cura tudo»? Acredito que na sua vida já teve muitas evidências que o tempo, por si só, não chega para resolver os seus problemas. Transporte esse ensinamento para as férias e acredite que estas últimas, por si só, não fazem milagres. Aproveite as férias para relaxar, descontrair, divertir-se, entre tantos outros ingredientes essenciais, e daí talvez clarifique mais as ideias e ganhe uma maior capacidade para, no devido tempo e contexto, eficazmente encontrar o melhor modo de lutar pela satisfação de ambos na relação.   

 

 

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