Como é que o psicólogo vive o momento antes da consulta?

October 11, 2019

   Já alguma vez te questionaste como é que o psicólogo vive o momento antes da consulta?
 

   Cada pessoa ou família que procura ajuda carrega muitas expectativas e exigências para o processo de ajuda. Estando a entrar neste último ou já lá estando instalada, há sempre a esperança de que o psicólogo seja eficaz (a eficácia assume diferentes formatos aos olhos de cada pessoa ou família que procura ajuda). De facto, o psicólogo procura sê-lo, não sabendo se isso corresponderá às expectativas e exigências da família. Assim, facilmente percebemos que o psicólogo tem este «peso pesado» sobre si. Mesmo sabendo que não é o único responsável pelo sucesso do processo, não deixa de sentir uma grande responsabilidade nas suas mãos. Dessa forma, antes da consulta há uma certa tensão que vive dentro dele, apelando a que, de forma séria e humilde, se concentre no seu papel de pessoa na pele de psicólogo.

      

   O psicólogo é uma pessoa que, tal como outra pessoa qualquer, tem noites mal dormidas, problemas para resolver, situações de vida que não está a conseguir bem gerir ou dar a melhor resolução, inquietações, etc. O psicólogo é uma pessoa que, tal como outra pessoa qualquer, tem noites maravilhosas, fica orgulhoso por boas resoluções de problemas e por estar a lidar eficazmente com situações difíceis, usufrui das alegrias das suas vivências positivas, etc. Com um estado de espírito mais negativo ou mais positivo, antes da consulta procura colocar o seu mundo num outro patamar (mantendo dentro do gabinete a sua pessoa e as suas vivências, mas sem misturá-las grosseiramente na vida dos outros) para dar responsavelmente as boas vindas às vidas que entram no gabinete.

 

 O psicólogo é totalmente psicólogo (e pessoa). Não é somente um pouquinho psicólogo. Há formações adequadas e um treino próprio para pôr em prática todas as suas competências de modo a ajudar as pessoas a melhorarem a sua vida, fazendo com que antes da consulta procure ter bem presente o seu conhecimento e experiência (da fusão entre a sua vida pessoal e profissional).

 

   A vivência destes momentos – hoje estou a falar do momento antes da consulta – é de uma subjetividade tamanha que se torna uma experiência única para cada profissional/pessoa. Contudo, o meu objetivo com esta partilha é enaltecer e humanizar o papel do psicólogo. O psicólogo é uma pessoa. É por ser pessoa (na pele de psicólogo), com qualidades e defeitos, que a empatia aparece na relação. É por ser pessoa (na pele de psicólogo), com seguranças e inseguranças, que aprende a lidar, por exemplo, com a novidade, com a diferença, com a imprevisibilidade, e com a complexidade humana. Cada caso é mesmo único e, num processo psicológico, não há nada que seja mais eficaz do que um caminho feito entre pessoas. Pode haver quem discorde, mas é aquilo em que eu acredito. Carl Gustav Jung disse o seguinte: «Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas quando tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.». É por isso que antes de cada consulta o psicólogo pensa, sobretudo, nas pessoas e no quanto a sua pessoa (na pele de psicólogo) pode ajudá-las. 

 

 

 

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