Como é que ainda pensas nele(a) ou gostas dele(a) depois de tudo o que ele(a) te fez?

February 21, 2020

«Como é que ainda pensas nele(a) ou gostas dele(a) depois de tudo o que ele(a) te fez?»

 

1. Tenho quase a certeza que já ouviste esta questão, em forma de crítica, de alguém para alguém ou sentiste na pele ou disseste ou algum(a) colega ou amigo(a) te contou. Podemos olhar para a questão e pensar que é uma tentativa de exploração das razões que estão por trás da ligação (emocional) que não se rompe. Não é! Pelo menos, na maior parte das vezes não é essa a intenção. É um puro julgamento.  É mais fácil julgar do que tentar compreender e apoiar. Visto de fora, de forma distante e grosseira, parece que “1 + 1 = 2”, mas nem tudo é matemática.

 

2. Perante a barreira colocada, relativamente à livre expressão dos sentimentos, a pessoa que recebe esta mensagem, pela calada, pensa o seguinte: «Só eu sei o quanto penso em ti. Os outros dizem-me para te esquecer, mas como é que se esquece alguém que se ama?». Sabes como se esquece alguém que se ama? Tens a fórmula mágica?

 

3. Em consulta dizem-me o seguinte: «Nem imagina o quão libertador é para mim poder dizer aqui, neste espaço, sem ser julgado(a), que ainda amo o(a) [nome dele(a)]! Não posso dizer a mais ninguém! Não aceitam os meus sentimentos, não me compreendem e condenam-me.». Quando falamos de situações difíceis vividas numa relação a dois, partilhar e assumir os sentimentos que se tem por alguém a outras pessoas é um ato de coragem, mas há situações em que essa coragem fica escondida porque o julgamento está logo à espreita.

 

4. Uma coisa é o que se sente e se pensa, outra coisa são as decisões que se tomam quanto ao relacionamento amoroso. Nalguns momentos há convergência entre os sentimentos e os pensamentos e a continuidade numa relação que colocou à superfície um desafio difícil. Noutros momentos, apesar dos sentimentos e pensamentos apelarem a uma aproximação, a decisão é de afastamento.

 

5. Uma coisa é partilharmos e assumirmos o que sentimos, outra coisa é tomarmos decisões relativamente ao relacionamento em causa (ou seja, ficar ou não ficar, reconquistar ou afastar-se). Se conheces alguém que esteja a passar por uma situação difícil em termos relacionais/amorosos, sê um ombro amigo. Apoia, escuta e procura compreender. Podes dar a tua opinião, mas não em forma de reprovação.   

 

6. Porém, há situações de nível muito avançado. Nesses casos, se sentires, enquanto amigo(a), que há uma grande complexidade nesse caso e, inclusivamente, risco e/ou perigo, a melhor solução é a procura de suporte/ajuda profissional (por exemplo, um psicólogo), como espaço de partilha (sem julgamento) e oportunidade de clarificação do problema, para a pessoa caminhar com sabedoria para a melhor decisão.

 

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