Respeita a forma como me sinto. Só quero a tua compreensão e o teu apoio.

Respeito, compreensão e apoio. Três exigências perfeitamente adequadas a qualquer relacionamento interpessoal/amoroso. Porém, ao contrário do que possa parecer, os três pilares mencionados exigem grandes capacidades e treino. Atualmente, muito se fala sobre o Eu e pouco se fala sobre o Eu na relação com os outros. Aliás, dá-se ênfase (e bem) aos perigos na relação com os outros e à importância de mantermos o nosso Eu protegido, mas caem muitas vezes no esquecimento as formas de bem alimentar as relações e da consideração de todos os elementos da mesma. É a sociedade individualizada em que vivemos. Sem generalizar, obviamente. Contudo, não podemos negar a realidade global: "Primeiro eu e depois… eu". Voltando ao início, devo dizer que há pouco treino para o sucesso desejado, ou seja, há pouca prática para se respeitar os sentimentos dos outros, compreender as pessoas e apoiá-las. Mesmo quem se queixa da falta destas dimensões, em jeito de atitudes e comportamentos, pode e deve questionar-se se em relação ao outro faz o mesmo que está a exigir. Não procuramos culpados ou quem dá mais ou menos. As acusações nas relações amorosas têm muito mais um efeito destrutivo do que construtivo. Para a relação amorosa e para o todo o tipo de relacionamentos interpessoais, ganha-se mais se introduzirmos sugestões de melhoria contínua para ambos, sem exceções, do que querer obrigar «à força» o outro a corresponder às suas necessidades. Resumindo e clarificando, digo que o pedido inicial, em forma de título deste texto, está ajustadíssimo às necessidades individuais e ao bem-estar relacional, mas deve ter sempre um duplo sentido, ou seja, ambos os elementos precisam de ser respeitados, compreendidos e apoiados. Para tal ser alcançado, enquanto sociedade (políticas e práticas educativas/escolares incluídas), temos de mudar o paradigma instalado de "cada um por si" e aplicar o lema "cada um por si e por todos". Também somos seres sociais, por isso não é lógico nem verdadeiramente humano só olharmos para o nosso umbigo. Os outros não são meros acessórios. São pessoas, tal como nós. Se assim olharmos para o mundo, em consonância com as devidas práticas, as relações terão mais saúde e bem-estar e as individualidades também.



Breve questionário

Primeiramente, responde pensando na tua prática habitual. De seguida, dá a tua resposta pensando no comportamento ideal em prol de um bem-estar individual (de ambos) e relacional.


Nas relações amorosas:


Questão 1. Para mim, a outra pessoa sente o que acho que ela está a sentir (A); ou a outra pessoa sente o que partilha comigo relativamente ao que está a sentir (B)?


Questão 2. Respeito o que a outra pessoa está a sentir, se fizer sentido para mim (A); ou respeito o que a outra pessoa está a sentir, independentemente do sentido que fizer para mim (B)?


Questão 3. Imponho uma forma de expressão emocional à outra pessoa (A); ou dou liberdade à expressão emocional da outra pessoa (B)?


Questão 4. Procuro compreender a outra pessoa quando não tenho uma opinião sobre o que ela possa estar a sentir (A); ou procuro compreender a outra pessoa em qualquer circunstância e independentemente da minha opinião (B)?


Questão 5. Apoio a outra pessoa sempre que considero que ela deve ser apoiada, ou seja, se no meu entender houver razões para apoiá-la (A); ou apoio a outra pessoa olhando às suas necessidades (B)?


Questão 6. Exijo que a outra pessoa me apoie, independentemente do meu apoio a ela (A); ou considero que o apoio deve ser recíproco (B)?


Questão 7. Devo apoiar à minha maneira, independentemente do efeito desse apoio (A); ou devo procurar perceber qual é o apoio mais eficaz na direção da outra pessoa e implementá-lo (B)?


Questão 8. Exijo para mim próprio(a) o que é melhor para mim (A); ou exijo para mim próprio(a) o que é melhor para ambos e para a relação, integrando nessa análise o que a outra pessoa considera ser o melhor para ambos e para a relação (B)?


Terminado o questionário, há uma reflexão que deve emergir para dentro de ti e das tuas relações. As tuas respostas, se forem sinceras, permitir-te-ão ter um maior autoconhecimento. Tens liberdade de mudar alguma coisa e a oportunidade de veres melhorias significativas na tua vida em termos individuais e nas tuas relações. Se precisares de um processo mais estruturado, como é a intervenção/consulta psicológica individual e de casal, é só dares esse passo. O teu bem-estar e a tua saúde individual e relacional devem ser uma prioridade na tua vida. Como deves ter percebido, as perguntas/respostas (A) estão mais centradas nas necessidades do próprio indivíduo. As perguntas/respostas (B) têm em consideração a própria e a outra pessoa (e a relação de ambos).


Qual é a tua opinião? E qual é a opinião da pessoa que caminha amorosamente contigo?


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