Sementes de esperança (por mim, por ti e por nós)

March 17, 2020

Um obrigado.

 

Há um sorriso que nasce bem dentro de mim quando vejo as pessoas a bem alimentarem o NÓS, traduzido em gestos de competência e coragem pelos profissionais de saúde, e de gestos solidários, criativos e responsáveis, em prol do bem comum, pelos cidadãos em geral. Continuem!

 

 

Uma reflexão.

 

Trabalhando diariamente na ajuda a casais e famílias, procuro reativar a capacidade de bem nutrirem as três dimensões de cada relacionamento interpessoal/amoroso: eu, tu e nós. Se olharmos para o NÓS enquanto sociedade, as análises psicológicas e sociológicas da época que estamos a viver reiteram que a sociedade se tornou mais individualizada, ou seja, há o paradigma do EU tão enraizado que a indiferença ao NÓS, enquanto sociedade, é mais do que evidente. Felizmente, com várias exceções. Há muitos bons exemplos e modelos inspiradores. É através deles que mensagens e mais mensagens tentam destruir esta formatação egocêntrica, mas muitas, infelizmente, não produzem o efeito desejado, pelo menos a uma escala maior. O amor-próprio quer ocupar espaço em demasia, mas mesmo assim parece não estar satisfeito. Parece uma insatisfação que não tem fim. Talvez Zygmunt Bauman tivesse razão ao dizer que "o amor-próprio é construído a partir do amor que nos é oferecido por outros.". As pessoas tão centradas nelas próprias, talvez não consigam sentir o amor dos outros e daí estarem sempre insatisfeitas consigo próprias (por vasculharem exclusivamente dentro do seu mundo). Uma insatisfação que faz com que se atire a culpa para os outros, porque eles – os outros – nunca são suficientes (ou talvez não preencham todos os desejos e necessidades das pessoas). Pensemos sobre tudo isto.

 

 

Um desafio.

 

Agora, mesmo à frente dos nossos olhos, chegou um convidado não desejado, um tal de (o novo) coronavírus. Este, numa versão com contornos inesperados, é mais do que suficiente para nos estragar os planos. Não podemos descartá-lo de forma fácil. Aliás, a única forma de eliminá-lo é acreditarmos nas pessoas que dão o seu melhor todos os dias e que nos permitem aumentar a esperança. Essas pessoas têm funções e personalidades distintas. Diferentes pessoas e um único objetivo (sabemos qual é). [Começamos a perceber que somos todos seres humanos e que os rótulos preconceituosos não têm utilidade nenhuma. Espero eu.] Essas pessoas somos todos nós, mas desta vez o EU não chega! Na verdade, nunca chega! Porém, as pessoas iludem-se com essa falácia. Desta vez há um EU, um TU e um NÓS. Não vale a pena negar. Não dá para desconsiderar nenhum deles. As individualidades e a força identitária do NÓS estão de mãos dadas, ou seja, há a necessidade de um verdadeiro espírito comunitário. Somos uma parte de cada uma das pessoas, fazemos a diferença, devemos ser o melhor suporte de cada um, confiando e dependendo de coração aberto, e formar, assim, uma rede de laços estreitos e fortes (com amor no coração). Está na hora de mandar embora, mesmo com medo (até porque uma função do medo é enfrentar), o COVID-19, mas também está na hora (ou para lá da mesma) de olharmos mais para e por NÓS e estarmos juntos de corpo e alma. Agora não é por falta de tempo! Não há desculpas!  

 

 

Uma lição.

 

Vamos voltar ao amor-próprio? Amar os outros e cuidar dos outros é talvez a melhor maneira de alcançarmos o amor-próprio que tanto ambicionamos. Não chega, mas faz parte (e é muito significativa). Chegou a hora de nos perguntarmos: O que é que posso fazer por NÓS (todos nós)? Não só agora, obviamente. Há que estudar bem a lição. Aliás, ir estudando porque o caminho da aprendizagem ainda está a ser feito. Há muito para fazer ainda. Desde que haja mudança, de preferência estrutural, é aconselhável que a compreendam ou, simplesmente, procurem bem memorizá-la. Tenho essa esperança e também uma enorme perseverança na construção de uma sociedade com valores humanitários e comunitários. Fico triste quando vejo a história mais pesada do nosso mundo a ser esquecida (voluntária ou involuntariamente), fazendo emergir discursos, políticas e práticas que nos assustam (apesar dos apoiantes das mesmas, sem terem, em muitos casos, noção das consequências). O COVID-19 porá travão às mesmas? Não estou a falar de quem, infelizmente, não resiste a esta pandemia. O travão de que falo é uma janela de oportunidade de mudança de quem resiste ao inimigo que nos está a invadir. Quando tudo isto passar não quero que nos esqueçamos dos ensinamentos. Eu estou a colher as sementes da esperança. Da minha parte, estou e estarei pronto para partilhar com todos os bons frutos desta árvore do conhecimento, ou seja, de forma muito clara, tenho a esperança de conseguirmos criar uma força do NÓS, uma maior sensibilidade aos outros e uma maior proatividade para se lutar por objetivos comuns que possam beneficiar a sociedade, no reforço dos valores humanitários. 

 

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