«PertenSer»

«… existe uma relação entre a qualidade de vida dos indivíduos e a da comunidade, pelo que as comunidades fortes beneficiam os indivíduos.» José Ornelas


Se nos desresponsabilizarmos do papel crucial que temos numa comunidade, estaremos a dar poder aos sobrantes. Qual é o risco? A sociedade monta-se de acordo com os ideais e vontades dos outros. Depois, fruto do nosso alheamento, aceitaremos o que vier ou, não aceitando, apenas reclamaremos «da boca para fora». Aparentemente, ao adotarmos uma postura mais relaxada, parece que tiramos vantagens, ou seja, «fico no meu mundo e ninguém me chateia» ou «só quero saber de mim» ou «se houver erros, a culpa é dos outros». Todas estas verbalizações, centradas no «eu acima de tudo», são egoísmo, preguiça e desresponsabilização. O problema é que as consequências não são só para quem toma essa decisão, mas, sobretudo, para quem está mais vulnerável no contexto social (que fica ainda com menos visibilidade e voz, ou seja, com menos direitos e menos qualidade de vida). O interesse narcísico de qualidade de vida (individual) é perigoso. Talvez a sociedade se tenha encaminhado para essa zona. Porém, face à pandemia que está instalada nas nossas vidas, temos tido a oportunidade de reconfigurarmos o sentido da nossa vida e da vivência em comunidade. Para facilitarmos a entrada numa nova conceção de vida, é importante dizer às pessoas que para fortalecer a comunidade (aumentando a qualidade de vida da mesma) não temos de anular a nossa individualidade (apesar das perdas, há também ganhos). Este é talvez o maior desafio, o de consciencializar as pessoas que podem ganhar com essas perdas, mas também educá-las que nem tudo pode ser ao nosso jeito (se queremos ser seres sociais de verdade). Há uma transformação que não anulará a individualidade nem o objetivo de «ser eu próprio(a)». Trata-se de um desenvolvimento essencial, de mudança. É um processo evolutivo que bem alimentará o «eu social» que, por sua vez, beneficiará as individualidades e a sociedade. Se esta mudança se implementar, o modelo passará, por exemplo, para as relações amorosas, e verás que aprenderás muito mais com elas. Atualmente, a aprendizagem nas relações parece depender da satisfação individual, numa lógica muito narcísica e hedonista. O desafio é haver o desprendimento (e despedimento) do «eu acima de tudo» e incluir o «eu contigo». Não devemos só esperar dos outros que adicionem positividade à nossa vida. Todos nós temos a responsabilidade de adicionarmos uns aos outros o melhor de nós para o NÓS. Basicamente, devemos optar por uma de duas possibilidades: construirmos o nosso castelo e sermos felizes dentro dele; ou construirmos um castelo com os outros e vivermos todos bem dentro dele. Se optares pelo segundo, fica com um conceito que te trago: sentimento psicológico de comunidade. Como refere José Ornelas, citando Sarason, o conceito de sentimento psicológico de comunidade é o seguinte: «a perceção da semelhança com os outros, o reconhecimento da interdependência com os outros, a vontade de manter essa interdependência, dando ou fazendo pelos outros o que se espera deles, o sentimento que se é parte duma estrutura estável, da qual se pode depender.».


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