Muito mais do que uma dança de palavras

- Dás-me a tua palavra que ficas perto de mim?

- Dou-te mais. Ofereço-te uma palavra. União. É a palavra que te entrego.

- Eu fico com ela e contigo também. Aproxima-te.

- Chego-me perto, bem perto de ti. Dou-te a minha mão. Dás-me a tua?

- A palavra está a voar! A palavra que usaste para ficares perto de mim. Voou e não a apanhei. Tu não te esforçaste para a apanhar. Dou-te a minha palavra que não me importo que ela voe, desde que me dês outra palavra para ficares. Sim, pega na minha mão.

- Sim. Deixei-a voar. Não me esforcei para apanhá-la, mas quero ficar contigo. Dou-te outra palavra. Compreensão.

- Eu fico com ela e contigo também. Escuta-me.

- Estou à escuta. Uma escuta ativa e compreensiva. Fico.

- Começo a gostar das palavras que usas. São palavras com gestos por dentro. Gosto delas. Gosto muito mais de ti.

- Escutei. Também gosto muito mais de ti do que das palavras. Neste jogo de palavras, em que o mais belo são os gestos, deixo-te uma nova palavra. Reciprocidade.

- Ainda não te deixei uma palavra. Não se constrói uma relação trabalhando só num sentido. Há uma troca necessária. Não por obrigação, mas por ser essencial. Deixo-te uma palavra. Admiração.

- Recebi-a. Bela. Tu. A palavra também. Adoro quando te empolgas no momento de falares com as pessoas. Como estás agora, neste momento, comigo. Ficas… Já te digo, em forma de palavra. Ficas atraente, quero dizer. Deixo uma palavra. Desejo.

- Já não consigo sair de ti. Estou contigo porque me puxas. Não literalmente, claro. Tudo em nós é leveza e liberdade. É um interesse que despertas. Talvez curiosidade. Sabes o que fica nesta dança das palavras? Antes de me responderes, deixo-te uma nova palavra. Cumplicidade.

- Nem preciso de dizer. Já disseste e eu sinto o mesmo. O mais belo são os gestos. É isso que fica. As palavras voam e os gestos ficam. É muito mais do que uma dança de palavras. Talvez tenha um nome.

- Tem sim. Nós sabemos que sim.

- Dizes tu ou digo eu?

- Fica por dizer. Se as palavras voam quando as dizemos e os gestos ficam quando os sentimos, deixemos esta palavra junto dos nossos gestos. Contruamos a nossa história com esta palavra agarrada a nós. Sem dizê-la por agora.

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