Não olhes só para o «copo meio cheio»!

Quando as pessoas sentem «vazios» na sua vida ou se focam excessiva ou exclusivamente em aspetos negativos, há quase sempre alguém que diz o seguinte: «Não olhes só para o ‘copo meio vazio’! Olha também para o ‘copo meio cheio’!». É, sem dúvida, um conselho muito útil para as pessoas alargarem o seu campo de visão e, a partir daí, terem a oportunidade de observarem uma realidade distinta e complementar. Como percebem, não estou aqui para contestar esta típica mensagem. Ela é boa conselheira. Contudo, quero alertar para não se exagerar na leitura desta mensagem, passando a olhar apenas para o tal «copo meio cheio». Por uma simples razão. É que as duas metades, inteiras por si só, são espaços de aprendizagem.

Imagina que o «copo meio cheio» são as «coisas» que fazem parte da tua vida e às quais deves estar grato. E o «copo meio vazio» é aquele espaço que te inquieta e que te perturba, talvez por estares a olhar para ele como o lado negativo da vida. Há ali um certo «vazio» ou um «défice» e tu achas que deves preenchê-lo. Nesse espaço não vês nada (que te agrade) e achas que deves encontrar alguma coisa para enchê-lo ou torná-lo mais aprazível aos teus olhos, como se tivesses de encher todo o copo. A sociedade ensina-nos a fazer assim, mas já te questionaste se podes pensar e fazer diferente? Lanço-te um desafio, em jeito de reflexão. Já pensaste que pode ser benéfico não preencheres todos os «vazios» com «coisas»? Esses «vazios» podem ser, por exemplo, espaços de criatividade, de atenção à tua essência e de liberdade emocional. Se pões «coisas» lá dentro, ou se simplesmente tens a intenção de pôr (mesmo que não consigas – e daí uma grande frustração por não saberes como ou o que pôr), podes perder essa capacidade de te libertares, no sentido de olhares para ti e por ti com naturalidade. Não preenchas todos os «vazios» com «coisas»! Aceita alguns desses «vazios» assim mesmo como são e aprecia-os com paz e arte no olhar e no coração. Esses «vazios» podem ser silêncios necessários (por exemplo, para te centrares na tua respiração ou refletires sobre a tua vida), liberdades emocionais que te tornam mais leve (por exemplo, para chorares ou para te rires), momentos de conexão, sem julgamentos, com o teu ser e com tudo o que se conecta com ele (por exemplo, para sentires as texturas das árvores e os sons dos pássaros ou a saudade de pessoas que são parte de ti). Desta forma, da próxima vez que sentires um «vazio», procura olhar para ele, entra nele e deixa-te estar. Alguns deles precisam que os enchas, mas há outros que podem ficar «cheios de nada». Um «nada» que te traz paz de espírito, motivação, equilíbrio e, quem sabe, a dita felicidade. Um «nada» que talvez seja muito mais do que «tudo».

Portanto, o problema não está em olhares para o «copo meio vazio» nem em sentires «vazios», mas sim olhares para esses «vazios» com um olhar mais atento e cheio de autenticidade. E, claro, não te esqueceres do «copo meio cheio», pois ele também faz parte da tua vida. Reiterando: as duas metades [o «copo meio vazio» e o «copo meio cheio»], inteiras por si só, são espaços de aprendizagem.

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