O que pensas quando pensas em mim?

Ontem perguntei-te se pensavas em mim quando não estava contigo. Disseste que sim. Hoje, pensando bem, percebi que a pergunta que te fiz nunca chegaria ao que pretendia saber. Inevitavelmente, a tua resposta, muito por culpa da minha pergunta, acabou por ser curta e incompleta. Uma coisa é pensares em mim, outra coisa bem diferente é pensares em mim de uma determinada maneira ou de várias formas. É precisamente aí onde quero chegar. O que pensas quando pensas em mim? Fiz o mesmo exercício em relação a ti. Quando penso em ti – todos os dias, para que saibas – vejo um espaço que existe entre nós, sendo ele muito variável de dia para dia e sempre muito intrigante. Há dias em que esse espaço é curto – tão curto nalguns momentos que mais parece um abraço que entra dentro de mim, confundindo-se com o meu corpo – e noutros dias tenho a perceção de um espaço longo – tão longo ultimamente que parece que não te vejo, tendo dúvidas, nessas alturas, se há um espaço entre nós ou um vazio que nos extingue. Insegurança ou realidade? Não sei. Sei que quando sinto essa distância – a longa – penso em ti de forma apaixonada. Tão apaixonada que se assemelha à paixão que me juntou a ti há muitos anos, aquela que pensei não mais viver (sem prejuízo da nossa felicidade a dois). Quando te vejo mais perto, aquela proximidade que permitimos ser tão invasiva, parece que o conforto sentido é tanto que não me apetece fazer nada de vistoso, talvez apenas estar e sentir. Acomodo-me nesses dias ou quero tanto a nossa relação ao ponto de pensar que se mexer alguma coisa pode estragar o que temos de melhor? Agora, ao pensar nisso, não vejo que essa proximidade sentida – a curta – seja mais motivadora para comportamentos mais comprometidos contigo. É tão estranho! Triste também. Não compreendo! Será que só percebemos o quão importante as pessoas são para nós quando sentimos que começam a afastar-se de nós, quando sentimos que a perda ou o afastamento pode ser uma realidade (ou até é de verdade)? Estou confuso quanto a isto. Contudo, tenho uma certeza. Sabes qual é? Não querendo ser contraditório, digo-te que é simples e complexa – a certeza que tenho. Eu digo. Quero estar e ser contigo. Vou repetir. Quero estar e ser contigo. Perto ou longe, quando penso em ti nos momentos em que estamos separados fisicamente, sei que quero estar e ser contigo, sempre apaixonado nas múltiplas formas dessa paixão. Falta-me saber como consigo ter essa capacidade criativa, independentemente do espaço que possa sentir que existe entre nós. Talvez a ideia seja dançar contigo várias melodias, mais próximos ou mais distantes, com a regra de nunca parar de fazê-lo. Foi o que me veio à cabeça. Parece-me real. E por falar em real, esse espaço palpável, aquele em que os nossos corpos se veem, o teu abraço invasivo será sempre bem-vindo. Continua a abraçar-me. Por dentro e por fora, como só tu sabes. Sim, tu sabes que os teus abraços não são apenas abraços. Tu sabes que és criativa o suficiente nos teus abraços. Sabes e demonstras-me essa habilidade e essa paixão todos os dias. É paixão? Não sei. Diz-me tu. O que pensas quando pensas em mim?

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